O padre Jesuíta Pedro Miguel Lamet, em artigo no IHU (15/01/2024), elenca uma série de razões para que amemos e admiremos o papa Francisco. Agradecendo a Deus pelos seus onze anos de pontificado, mesmo sem me prender ao texto, mas nele inspirado, resolvi compartilhar essa reflexão.
O primeiro motivo é que Francisco é muito humano. Ele dispensa as honrarias, quebra as barreiras, anula as distâncias. Evita os ‘nãos’, estende os braços, escancara o coração. Antes de falar, prefere sempre ouvir. E ouvir de verdade, com respeito e consideração. Desce da clausura, mistura-se no refeitório, sai à rua. Não faz questão de falar ex cathedra, mas ensina como pai. A linguagem não é de um erudito, mas de um companheiro de caminhada.
Podemos dizer, sem medo de errar, que Francisco é amigo dos pobres. É solidário com as minorias, com os excluídos, com as vítimas da sociedade. Não tem medo de ser taxado de “comunista”. O que importa é se tornar voz e advogado dos imigrantes, dos sem-teto, dos marginalizados, das mulheres, das vítimas do preconceito e da discriminação.
Nosso pastor tem uma sensibilidade ímpar ao tratar da vida do planeta, nossa “casa comum”, nossa “mãe terra”. Ante a ganância e a exploração irresponsável daqueles que só pensam no lucro e no agora, ele se preocupa com o presente e, sobretudo, com o futuro daqueles que virão depois de nós. Face à deterioração, sua bandeira é o cuidado.
Ele nos ensinar a rir e a sorrir. É uma pessoa leve. Até se arrisca a gargalhar de vez em quando. Nada de gente engessada, azeda, com cara de “sexta-feira da paixão”.
Por outro lado, é muito sério e incisivo ao condenar a violência e as guerras, pondo às claras o escândalo dos gastos com armas e munições, num mundo onde tantos ainda morrem de fome ou por falta de medicamentos e vacinas.
Chama muito a atenção o esforço de Francisco em purificar a Igreja de tanta poluição que foi adquirindo com o passar dos séculos. Foi corajoso em tocar na ferida dos abusos sexuais por parte de pessoas consagradas, da pedofilia, do carreirismo, dos escândalos financeiros, da inveja e das fofocas clericais.
Bem no início do seu pontificado, assustou a muitos a forma como enfrentou a Cúria Vaticana, expondo e denunciando as mazelas e os vícios de cardeais aparentemente intocáveis e de tantos que se aproveitavam da função para se enveredar pelos caminhos da ostentação e da corrupção.
É, sem dúvida, uma das marcas de Francisco a busca incansável pela sinodalidade. Com sua prática e suas exortações, tem insistido desde o início do pontificado na urgência de descentralizar, valorizar as bases, escutar (ou auscultar), viver radicalmente a comunhão.
É também notório em nosso pastor o respeito pela pluralidade de pensamento, pelos que pensam, creem e se expressam de forma diferente.
Dá prazer sentir também sua abertura aos outros: “outras religiões, judeus, islâmicos, agnósticos e ateus, sem complexos de superioridade, consciente de que ninguém tem uma verdade absoluta e todos podemos aprender uns com os outros”. Valoriza os jovens, os poetas, os artistas. Deixa claro que todos têm algo a oferecer.
Podemos ainda citar o que, mais recentemente, deixou muitos escandalizados, quando falou da bênção aos gays, sem entrar em discussões teológicas, mas simplesmente deixando claro que Deus os ama e ninguém tem o direito de lhes negar uma bênção.
Finalmente, Francisco merece ser amado por ser um sinal bonito de Jesus, e por nos ajudar a fazer a experiência da necessidade, da riqueza, da beleza e da alegria do Evangelho.