Ferro+ chantageia e Presidenta do Conselho Estadual de Saúde MG destaca ação agregadora do MAB

Ferro+ chantageia e Presidenta do Conselho Estadual de Saúde MG destaca ação agregadora do MAB

A Ferro + fez chantagem com trabalhadores e congonhenses ‘condicionando’ suas atividades na região à aprovação de Pilha de Rejeito e Estéril Guariba pelo Conselho Estadual de Política Ambiental (COPAM). Representantes da empresa disseram que se o projeto não for aprovado a mineradora vai embora. O fato ocorreu em audiência pública convocada pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SEMAD), no dia 5 de junho, em Congonhas.

O argumento da Mineradora é falacioso porque sua situação é diferente, por exemplo, de montadora de carros; ela nunca conseguirá transferir a montanha de minério para outro local. De toda forma, o efeito psicológico sobre o povo e os trabalhadores é imediato num território feito dependente do império econômico pela subserviência dos gestores públicos. Por isso a manobra mudou o foco da audiência. Ao invés de debate sobre o que fazer com a montanha de lixo gerada pela exploração de minério, ela se transformou em espaço de bajulação, propaganda da empresa e constrangimento de operários. O salão da Oscar Wenchenk, escola municipal que abrigou a atividade, ficou azul do uniforme, sem contar uniformizados de blusa por cima por causa da noite frita.

O ritual mostra coisa ensaiada: inscrevem-se para fala, a maioria mulher jovem, vão ao microfone colocado à frente do público presente com a camisa da empresa, contam sua história de sucesso individual na mineradora, sorriso aberto, alguma emoção no rosto, dizem que a vida mudou porque trazem valor monetário para casa graças ao emprego, afirmam que se orgulham da camisa que vestem e não poupam elogias à empresa.

Moradores dos Motas, uma das comunidades atingidas, reagiram com cartazes e reivindicaram nova audiência pública na área atingida. Eles disseram que a empresa não precisa ter medo do povo.

Rafael Duta, diretor do Sindicato Metabase Inconfidentes, questionou: ‘a quem serve o projeto?’. Estudos mostram que Congonhas e os trabalhadores ficam com menos de 10% dos rendimentos da Ferro +. Para Lourdes Machado, Presidente do Conselho Estadual de Saúde, a aprovação da Pilha de Rejeito e Estéril vai piorar a qualidade de vida no território, que já é dramaticamente impactada pela expansão desordenada das mineradoras. Machado ainda ressaltou que o MAB é movimento agregador de forças sociais.

De acordo com boletim da empresa, ‘A área de inserção do Projeto Guariba da Ferro + Mineração está localizada nos municípios de Congonhas e Ouro Preto, nos distritos de Pires e Miguel Burnier’; diz ainda que ‘está sendo analisado pela FEAM (Fundação Estadual do Meio Ambiente)’; e que ‘é uma ampliação da área de disposição de estéril e rejeito produzidos no complexo minerário atualmente licenciado’.

Na compressão do MAB, o termo ‘ampliação’ utilizado pela Mineradora tem a intenção de minimizar os impactos do Projeto para facilitar sua aprovação. E defende transparência.

Facebook
Twitter
WhatsApp
LinkedIn
Telegram
Email

Mais artigos de Pe. Claret

Ecos do Grito

O trigésima segundo Grito dos Excluídos (7/9) refletiu o tema ‘Em defesa da Terra, da Paz e da Moradia, erguemos a voz: mulheres vivas e soberania’. O Grito faz-se contra-ponto à atual avalanche ultra direita, no país e mundo, que deseja forçar, na bruta, a roda da história para trás,

Leia mais »

Pires por 15 milhões

Lugar aconchegante Quase o céu na terra emoldurado de serras As pessoas constroem suas casas e habitam suas histórias. O lugarejo vira povoado e bairro Pires. Um monstro de rabo grande chega sorrateiro Barriga saco-sem-fundo Fura buracos Abre crateras. Ele faz parcerias e dá festinhas e oferece cursinhos e põe

Leia mais »

Gratidão Missionária

Tanto o pequeno cartaz de boas-vindas no quarto da São João Batista, 15 de agosto, quanto as manifestações de Carinho em Congonhas, após sete anos ali, colocam em boa medida o sentimento de gratidão e lançam luz sobre a expressão prepositiva ‘a partir de’ enquanto modo próprio de uma eclesiologia

Leia mais »

Eleições e manipulação da fé

Parece que quanto mais se rebaixa o debate político tanto mais vertentes religiosas retrógradas entram nessa arena e, via de regra, pioram o ambiente, pois substituem reflexão por dogma, transformam adversário em inimigo e intentam ter a Deus por cabo eleitoral; coisas nefastas, a história atesta que a manipulação da sensibilidade

Leia mais »

Os dois tijolinhos de Lorena e o abraço à lagoa

A criança segue a fila durante o Plenarão na Santo Antônio (5/9) e, entre pessoas grandes, abaixa-se perto da ‘casa’, posta à frente, participantes em círculo, e, acolhida pelas mestras de obra, sorrisos mútuos, entrega um tijolinho, depois mais outro, volta contente para junto da mãe e, vez por outra,

Leia mais »

Bosque encantado

Luciano ‘vive’ de rir no bosque, atrás da árvore, de olho no céu, dos pequenos ciúmes que lhe rende o ‘dom’ entre seus pares – coisa que considera grande bobagem -; da criança que, junto a outras que o tomam pela mão e o carregam nos braços, lhe toca a

Leia mais »

Murundu

As visitas da Mata dos Pacheco, em 2 de agosto, riem do tambor azul, agora marrom de ferrugem, escutam memórias vivas da cozinha-casa – quando a mãe banhava as meninas, as colocava na cama e lhes dava o jantar, já prontas para dormir – e, à mesa, as visitas lembram

Leia mais »

Um Deus que crê em nós e as eleições

Vi Jesus outra vez na quarta à noite, véspera de Corpus Christi, quando descia de Festival de Teatro na Romaria. Ele estava deitado sobre papelão no passeio do sindicato, Centro de Congonhas, e, vendo o passante, levantou-se depressa, correu-lhe ao encontro, falou coisas ‘sem lógica’ numa fluência verbal incomum e

Leia mais »

Nazaré, tempo sabático e o ranking do faro animal

A vida de Nazaré é (quase) rotina todo dia após descoberto o extraordinário cotidiano, longe da mesmice múltiplo-variada, pois suas horas, agora, é estar ao lado do cajado, nas tardes de passeio pela estrada ou lagoa – depois da hibernação -, à espera de algo saborosamente comestível, após aquele cheiro

Leia mais »

Gato por lebre

Parece que a ‘ordenação de párocos’ antes que ‘padres’ pela ascensão abrupta do seminário à condição de administrador, na posse e poder das chaves, traz, inicialmente, a sensação de liberdade mesclada a medo, mas, em poucos anos, esse atalho produz ingredientes amargos no cardápio sacerdotal, pois, numa cajadada só, pessoa

Leia mais »