A Associação Terra a Serviço da Vida (ATSV) e a Escola Nacional de Energia Popular (ENEP), ambas com sede na zona rural de Viçosa, realizaram curso sobre ‘Plantio de Água’ nos dias 27, 28 e 29 de abril, com o instrutor Diego Mingote, do Senar MG.
Na parte teórica, no salão cultural da Enep, os cursistas aprenderam o conceitos de ciclo hidrológico com os três estados físicos da água (sólido, líquido, gasoso); de evaporação, evapotranspiração, condensação, precipitação, escoamento, infiltração, lençol freático, recarga de lençol, percolação, intercepção, aquíferos, nascentes, área degradada, área alterada, reserva legal, recomposição, regularização, bacia hidrográfica, uso insignificante, outorga, dentre outros.
Diego passou informações relevantes sobre cuidado de nascente, Área de Preservação Permanente (APP).
Entorno de lagoas naturais, margem de cursos de água, terrenos com inclinação acima de 45 graus têm a mesma classificação.
Quando o ambiente está apenas alterado, ou seja, a natureza ainda consegue recompor-se, basta cerceamento da nascente num raio de 15 a 50 metros. Quando está degradado, faz-se necessário recomposição, sendo ao menos metade com mudas nativas. Dica sempre árvores lenhosas!
Disse que a legislação brasileira exige licenciamento para uso da água em duas modalidades. O procedimento do chamado ‘uso insignificante’ (até 10 mil litros/dia) é gratuito, validade 3 anos; já a outorga (uso ‘comercial’ da água) é paga (7.288,06), validade 10 anos.
A afirmação do instrutor de que ‘bebemos a mesma água dos dinossauros’ e a demonstração da semelhança física aparente da bacia hidrográfica com uma folha de coube chamaram atenção dos participantes.
A parte prática do curso ocorreu em área da Associação, local úmido, provável nascente difusa em fundo de Vale.
Após medida de raio de 15 metros, foram construídos dois cochinhos (curva de nivel) para contenção de sedimentos devido ao escoamento de água da estrada, que está assoreando o local, e plantio de mudas.
Haverá monitoramento da área no período da seca e, se a natureza responder positivamente às intervenções do cuidado, aumentando o fluxo de água na nascente, será agendada segunda etapa para ‘aproveitamento’ da nascente.
A atividade ‘plantio de água’ veio do trabalhador Tone que, trabalhando na ATSV duas vezes por semana e realizando bateção seletiva no Sistema Agroflorestal (SAF), percebeu que os merejos e a unidade indicavam existência de possivel nascente .
Na nossa compreensão e de especialistas, ‘Plantar Água’ tem sentido político de alcance global porque toca a principal ferida do planeta em tempo de emergência climática.
O crime da Vale em Brumadinho, ocorrido em 25 de janeiro de 2019 e assassinando 272 pessoas, é emblemático. A mineradora faz maquiagem às margens do Paraopeba. Mas a luta ensina que cuidar da nascente do rio, em Cristiano Otoni, e da organização popular é o caminho de resistência e superação da violência capitalista na apropriação de bens naturais.