2º Domingo do Advento – 10.12.23
Leituras:
Is 40,1-5.9-11
Sl 84(85),9ab-10.11-12.13-14
2Pd 3,8-14
Mc 1,1-8
Neste segundo domingo do Advento, a liturgia nos convida a preparar os caminhos do Senhor cuja chegada se aproxima. Como fazê-lo?
O profeta Isaías e o evangelista Marcos apontam o arrependimento e a conversão como o meio mais seguro e eficaz de preparar o caminho do Senhor. O profeta tem diante de si um povo alquebrado e desanimado por causa da dolorosa experiência do exílio. Sente-se sem motivação no seu retorno para casa. Parece não ter forças para reconstruir a vida. Precisa ser consolado e reanimado.
Quem de nós nunca passou por situação semelhante? Esta não é a realidade de tantos irmãos e irmãs nossos que, alijados pelo sistema, sentem o peso da exclusão, da exploração e do descarte? Quantos há que precisam reconstruir sua vida, mas faltam-lhes a força da fé e a esperança que faz crer em novos céus e nova terra onde habite a justiça (2P 3,14).
O consolo que reaquece o ânimo e a coragem dos filhos e filhas de Deus vem da certeza de que acabou o tempo da servidão e que suas culpas foram expiadas (Is 40,2). Preparar o caminho no deserto, nivelar os vales, rebaixar montes e colinas, endireitar o que é tordo e tornar liso o que é áspero: eis o itinerário da conversão, da mudança de vida, do novo a emergir do coração de quem conserva sua esperança no Senhor. Não uma esperança de esperar, mas de esperançar, como diz Paulo Freire, que significa levantar-se, ir atrás, não desistir, ir adiante, juntar-se aos outros para fazer de outro jeito.
O precursor, João Batista, fazendo eco à palavra de Isaías, vai para o deserto e aí prega a conversão, o perdão e o batismo como forma de preparar o caminho do Senhor e endireitar suas estradas (Mc 1,3). De que precisamos nos converter para preparar as sendas do Cristo que vem para nos salvar e libertar?
Dirigir-se ao deserto revela nossa disposição para buscar o arrependimento e a conversão a fim de que nosso encontro com o salvador se realize. Contudo, há uma tentação que pode nos vencer. A tentação de “não ir ao deserto. Evitar a necessidade de conversão. Não escutar nenhuma voz que nos convide a mudar. Distrair-nos com qualquer coisa, para esquecer nossos medos e dissimular nossa falta de coragem para acolher a verdade de Jesus Cristo” (Antônio Pagola).
Deus, porém, precisa de apenas um pequeno sinal de nossa parte para penetrar nosso íntimo e nos transformar. Como lembra o teólogo J. M. Rovira, “Deus se aproxima de nós buscando a fresta que o homem mantém aberta ao verdadeiro, ao bom, ao belo, ao humano. É a estes resquícios da vida que devemos prestar atenção para abrir caminhos para Deus” (in. Antônio Pagola).
Nossa alegria é saber que Deus usa de paciência e misericórdia para conosco, por isso, confiantes, esperamos “novos céus e nova terra onde habitará a justiça”, esforçando-nos para manter uma vida pura e sem mancha (2Pd 3,14).
Preparemos o caminho do Senhor por meio de uma sincera conversão que se traduza num novo rumo em nossa vida em relação ao que, em nós e no mundo, contradiz a vontade de Deus que nos visita por meio de filho querido, o verbo encarnado, único capaz de consolar e reanimar a humanidade.