Fraternidade e natureza abraçam-se no Remanso-paraíso
Viçosa não é só a cidade
Há flores e aves e peixes e pequeno pomar
Não se sabe se há serpentes e maças nem se Adão e Eva habitam ali.
Raquel dá sabor à refeição com seu especial carinho e pitada presencial de Lúcia e Norma
A outra Lúcia (dona dos papéis do sítio) passa de raspão por duas ou três vezes
Parece discreta
Lado é visto pelo jardim ou transitando pela área
Motoristas solidários cuidam da logística de transporte pelo recolhimento.
Faz-se noite escura nesses tempos de breu
Uma sombra-senhora chega do nada e se apresenta por ‘igreja’ e ocupa boa parte de muita atenção por quase uma semana: 13 a 16 de novembro
Pode ser o fantasma da projeção
E diz morar no subterrâneo da Fraternidade
Talvez inconsciente.
Ela se diz nova em idade e já de aparência acabada com enormes rugas na cara
Sua figura folclórica mais parece pesadelo
Temperamento sanguíneo variado da amorosa ternura à completa frieza
Por vezes pasmaceira
Meio caduca da cabeça institucional
Vestes fartas rendadas indecentes que deixam à vista a vergonha das vergonhas
Algum odor de mofo medieval
Aquele carnaval em shows-missa
E uma preguiça (sem fim) pelo fim da profecia e dos estudos
Cheia do vazio existencial
Muita magreza de pele e osso num ritual sem carne e sem nervo nem comunhão de verdade
O pão molhado no vinho dos festejos beira à traição no namorico cotidiano com a mineração e com o poder opressor local à moda de padroado
O palco está montado e (quase) tudo é teatro de arte pouca e demasiada comeria
Tudo é mercadoria
Falta-lhe a ‘loucura’ por Jesus de Nazaré.
Mas a Fraternidade persistente cresce e as articulações se refazem e as dores de tanta artrite se tornam dores de parto
A noite escura vira a madrugada até que o dia amanhece sem necessidade do canto de nenhum galo
Os dias sempre amanhecem independente da vontade dos deuses e das autoridades constituídas ou destituídas
Não há nada que barre (eternamente) a sede de liberdade no caudaloso rio da existência
Essa fonte inesgotável.
O pesadelo faz-se sonho e o medo medonho dá lugar à Esperança
A Fraternidade avança um passo e repara a ‘igreja’ de perto
Bonita ela não está
Mas no fundo mais fundo de suas entranhas dilaceradas reside reserva de fé e coração pulsando sangue vermelho de tão vivo nas veias do Papa ‘descoberto’ na Argentina e de Francisco de Assis e de Luciano e de Carlos e de Clara e de Margarida e de Eva e de milhares em vidas-doação
Numa adoração perpétua sem ambão nem incenso nessa nuvem de graça do universo inteiro
Sempre na contramão do sistema dominante independente da conjuntura e do humor do mercado.
Que beleza!
Aquela senhora abre o coração e quase pede perdão e confessa: ‘estou assim porque fizeram isso de mim!’
Então a Fraternidade sente que será coisa extraordinária a sua reconstrução
Por trás do verniz e das camadas de tinta das diversas cores habita (ainda) a jovem esposa de Jesus de Nazaré
Então ela se coloca de pé seguida da natureza
E abraçam a Igreja na paixão do Amor primeiro e derradeiro
Ela chora de rir do seu tipo desengonçado e se despe de toda pompa e alcança a nudez evangelho no grupo de reflexão e na Comunidade Eclesial de Base
A matriz eclesial do Povo de Deus
Aquela donzela mais linda toma jeito em missão e coloca o avental e encontra vasilhas por lavar ainda do dia da última ceia de Jesus
Antes da cruz e da ressurreição.