O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) realizou, neste sábado, 9, o quarto encontro do Movimento na região do Alto Paraopeba, em Murtinho, município de Congonhas (MG). O bairro sofre com doenças provocadas pela poeira da mineração e com o intenso fluxo de caminhões das mineradoras na BR 040.
“Já existe no bairro um terminal de carregamento de minério da empresa Serviços Complementares para Operações Ferroviárias (SCOF) e o Grupo Avante está implantando outro enorme terminal sem diálogo com os moradores”, explica padre Antônio Claret Fernandes.
O Encontro do MAB na região do Alto Paraopeba faz parte da jornada de luta do “14 de março”, Dia Internacional de Luta em defesa dos rios, contra as barragens, pela água e pela vida Rafael Duda, diretor do Sindicato Metabase Inconfidentes, denunciou o aumento da exploração, dizendo que cada operário paga seu salário nos primeiros 40 minutos de jornada de 8 horas. Explicou que vem ocorrendo achatamento da massa salarial desde 2015, com perda de R$ 111 milhões na arrecadação municipal.

A psicóloga e presidenta do Conselho Estadual de Saúde do Estado de Minas Gerais, Lu Machado, defendeu a Saúde enquanto direito humano e revelou que cinquenta por cento dos acidentes na BR 040 envolvem carretas das mineradoras. Já o advogado militante do MAB, Mário Rodrigues, desmontou o mito da privatização, boa para a classe dominante e ruim para o povo.
O advogado lembrou que a Vale é exemplo do quanto a privatização é desastrosa, soterrando 272 pessoas no rejeito de minério. Segundo Mário, a Política Nacional de Direitos das Populações Atingidas por Barragens (PNAB), lei sancionada em dezembro do ano passado, é uma importante conquista dos Atingidos por Barragens e sua implementação exigirá muita luta.
A assistente social militante do MAB, Fátima Sabará, destacou que o Movimento trabalha a organização do povo porque acredita na pressão popular.
Mais de uma dezena de pessoas fez uso da palavra na ‘fila do povo’. Carlos Roberto, morador de Murtinho e líder comunitário, defendeu a importância do encontro para formalização de pauta de luta. A professora Márcia Menezes realçou a necessidade da união para enfrentar os desafios.
Os participantes decidiram encaminhar denúncia das questões relacionadas à saúde ao Conselho Estadual de Saúde e dar continuidade ao trabalho da base nos bairros. Foi agendado novo encontro, no mês de maio, em Lobo Leite, distrito de Congonhas (MG).