Moradores de Belo Vale, Viçosa, Cristiano Otoni e de diversas comunidades de Congonhas, inseridas nas CEBs, Santas Missões Populares, MAB, noutras organizações, e profissionais do Instituto Federal Campus Congonhas (IFMG) participaram de Pré-Grito na nascente do Paraopeba (29/8). Na programação, café comunitário, caminhada, visita à fonte e cachoeira, mística com reflexão e almoço oferecido pela Comunidade Cana do Reino.

Participantes da atividade decidiram realizar reunião em setembro para planejar a luta nas regiões de Congonhas e Belo Vale e pretendem implantar Grupos de Reflexão nas proximidades da nascente do rio. “O objetivo é fortalecer a organização popular, principal sujeito de mudança na estrutura injusta da sociedade e de conquistas de direitos negados ao povo”, disse padre Antônio Claret, um dos organizadores do Pré-Grito.

“Além do crime da Vale em 25 de janeiro de 2019, que assassinou 272 pessoas, o Paraopeba e seu povo são atingidos por pastagem intensiva, esgotos, lixo industrial e por uma série de intervenções degradadoras”, acrescentou.

Lideranças de Cana do Reino (Cristiano Otoni) disseram que a Cimento Tupi está em planos de expansão e temem que isso pressione ainda mais a sofrida condição do rio, pois “empresas têm cofre, não coração”. E moradores do Pires (Congonhas) denunciaram que a fonte do João Batista deu lugar a um “amontoado de caixas” por causa da expansão da Ferro Mais. O lençol freático foi rebaixado, a fonte que abastecia o bairro secou e agora a água é bombeada pela Mineradora.

“Essas expansões desordenadas tornam-se crimes premeditados, pois ocorrem sem fiscalização por parte dos governos e sem controle social”, observou um dos participantes do ato.

Aline Soares, da Coordenação Regional do MAB, informou que a qualidade do ar em Congonhas está
oito vezes abaixo dos padrões exigidos pela Organização Mundial da Saúde. “As mineradoras matam as fontes de água e a vida”, disse Aline. Ela defendeu o voto consciente nas eleições deste ano e chamou atenção para a importância da organização popular.

Jaquelina Freitas, da Coordenação das Santas Missões Populares, ajudou no momento de espiritualidade e afirmou que a fé é intimamente ligada à vida, “Orar é bom, mas é essencial fazer as obras”, comentou.

O versículo bíblico “Construirão casas e nelas habitação”, do profeta Isaías 65, 21, motivou a reflexão sobre a sociedade (atual) capitalista – fundamentada na exploração de bens naturais e do trabalho – e sobre o sonho da sociedade justa e fraterna, cuja base é a solidariedade.

Segundo os organizadores da manifestação, o Pré-Grito na nascente do Paraopeba está inserido em contexto mais amplo de Pré-Grito em cada uma das cinco regiões da Arquidiocese de Mariana, conforme roteiro dos Grupos de Reflexão de junho. Ele foi sugerido também como gesto concreto da Romaria dos Trabalhadores e Trabalhadoras realizada em Cristiano Otoni neste ano. Ao mesmo tempo, o ato é preparatório para o Grito dos Excluídos, que acontecerá em Congonhas no dia 7 de setembro, com o lema “Na defesa da Terra, da Paz e da Moradia, erguemos a voz: mulheres vivas e soberania”.

O MAB e as Santas Missões Populares agradecem cada participante, a Comunidade Cana do Reino, a Paróquia Santo Antônio e todas as pessoas que , de algum modo, se envolveram na realização da atividade.