Por Claret
A Coordenação do Plenarão e do Encontrão das comunidades reuniu-se na terça-feira (2/6) para programar a atividade que ocorrerá na tarde de 27 de Junho, no Sindicato Metabase Inconfidentes, com foco na Água, Moradia e no fortalecimento da luta pela implementação da Política Nacional das Populações Atingidas em Congonhas e pelo fortalecimento das comunidades.
Aline Soares, militante do MAB e moradora de Santa Quitéria, território quilombola, ajudou no debate da programação do encontro, que terá início às 15 horas com acolhida e mística seguida de Plenarão, depois trabalho em grupo e socialização com a seguinte pergunta geradora: como fazer o nosso ‘grito’ do coração ser ouvido?. O encerramento será às 18 horas.
A exploração violenta e sem controle das mineradoras rebaixa o lençol freático, seca as nascentes e obriga os moradores a usarem água ruim bombeada pelas próprias empresas.
Ivana Celestina Gomes, moradora do Pires, disse que a J. Mendes abastece o bairro e que ‘as velas do filtro ficam babando de sujeira’. E desabafou: ‘nossos netos não tomam água fresca na canequinha’.
A situação se agrava porque a Copasa, cuja concessão vence em 2031, oferece serviços de má qualidade com valores exorbitantes, pois o consumidor paga tarifa de água acrescida de 70 por cento por esgoto não tratado.
A questão da moradia é crônica em Congonhas, há muitas casas precárias, 12 mil pessoas moram em área de risco, a cidade não tem uma unidade sequer do ‘Minha Casa Minha Vida’, os aluguéis são altíssimos e há famílias que ficam ‘eternamente’ no aluguel social. Sebastião dos Santos, morador no bairro Residencial, criticou a burocracia do acesso a moradia, afirmando que ‘está servindo para beneficiar os graúdos’.
Soma -se a isso a prepotência das mineradoras, que expulsam pessoas de seus territórios, e a falta de transparência nas obras de duplicação da 040; o início no trecho Pires/Jadim Profeta está previsto para agosto deste ano e os moradores atingidos não conhecem o projeto.
A atividade de 27 de Junho, que une Plenarão com Encontrão das comunidades, faz parte de processo amplo, trabalho de formiguinha na missão popular e no Movimento dos Atingidos por Barragens.
As Santas Missões Populares iniciaram-se em Congonhas em 2022 e, no primeiro semestre deste ano, elas ocorrem, no formato de mutirão, nas comunidades-eixo da 040, de Ribeirão do Eixo a Vila Marques. Os problemas do povo se transformam em pauta, que vem sendo debatida com as autoridades.
Jaquelina Freitas, da Equipe de Animação Missionária, esclareceu que esse processo está conectado à Carta de Natal – assinada pelas paróquias de Congonhas e Basílica do Bom Jesus,
publicada em 25 de dezembro de 2025 – e ao roteiro dos Grupos de Reflexão de Junho, que lembra o Ambiente e o Coração de Jesus.
O MAB, por sua vez, vem debatendo a Lei da Política Nacional das Populações Atingidas no Brasil inteiro e, no dia 14 de março, realizou encontro por ‘PNAB em Congonhas já!’.
O Movimento entende que a implementação da Lei é importante ferramenta de participação popular.