A Escola Municipal Maria de Oliveira Castanheira, que fica no Quilombo do Campinho, em Congonhas (MG), acolheu o primeiro dia da Semana de Direitos Humanos, nesta quarta-feira, 10, com a Roda de Conversa “Povos Tradicionais/ Quilombolas” e contou com a presença de pessoas das três paróquias de Congonhas, de vários bairros e dos municípios de Viçosa e Jeceaba.

 Membro da Equipe de Animação Missionária e aniversariante do dia, Jaquelina Lima Freitas iniciou o encontro com momento místico, questionando de que lado estamos: da corrente que liberta, mãos unidas em solidariedade, na diversidade das raças, ou do lado da corrente da opressão? Ela finalizou esse momento com o Pai Nosso dos Mártires.

Adriana Reis Lopes, do Quilombo Campinho, coordenou a atividade, agradeceu a presença de cada participante e passou a fala aos facilitadores da Roda de Conversa.

O primeiro foi Matheus de Mendonça Gonçalves Leite, professor do curso de direito da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-Minas) e advogado da Federação das Comunidades Quilombolas de Minas Gerais-N’Golo.

Matheus lembrou o sentido do Dia Internacional dos Direitos Humanos e afirmou que o Direito Humano nasce da organização do povo, “muitas vezes contra o Estado violento”. Ele fez breve histórico do reconhecimento do direito dos quilombolas até a Constituição de 1988 e lembrou que a luta popular é decisiva para o direito sair do papel.

Gonçalves citou ainda a tentativa de construção de casas no Quilombo Campinho sem consentimento dos moradores e questionamento a CSN à certificação de Santa Quitéria enquanto quilombo como casos de violência contra os Povos Tradicionais em Congonhas.

Na visão de Gonçalves, o reconhecimento de um quilombo muda a correlação de forças no território e por isso incomoda os que estão acostumados a mandar.

O segundo a falar foi padre Geraldo Martins Dias, jornalista, ex-assessor da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Atualmente ele acompanha a Pastoral Afro-brasileira da Arquidiocese de Mariana e é pároco na paróquia São João Batista, em Viçosa.

Martins enfatizou que há uma “forte conexão entre Pastoral Afro e a luta quilombola” e informou que o tripé desta Pastoral e de toda pastoral social são o Evangelho, a Doutrina Social da Igreja e a Opção preferencial pelos pobres.

Ele ainda disse que a Doutrina Social da Igreja tem por princípio o bem comum, a participação do povo enquanto sujeito, a solidariedade e a destinação universal dia bens. Acrescentou que a Igreja Católica precisa continuar superando o preconceito em relação às religiões de matriz africana e que a palavra chave é a inculturação.

Padre Geraldo esclareceu que a implantação da Pastoral Afrodescendente passa pela constituição de núcleo de estudos dos interessados em formar um grupo de base.

A primeira noite de Direitos Humanos se encerrou com as pessoas em círculo, cantando o refrão ‘pisa ligeiro, pisa ligeiro, quem não pode com a formiga, não assanha o formigueiro’, lembrando a força do povo organizado.

Os presentes cantaram parabéns para Jaquelina e fizeram momento de confraternização, com lanche partilhado.

Nesta quinta-feira, 11, a Paróquia Mãe da Igreja acolhe, às 19h, o segundo dia da Semana de Direitos Humanos, com presença de Sandoval Souza Pinto Filho, ativista socioambiental, e Rafael Duda, do Sindicato Metabase Inconfidentes para debater a desafiante questão da água, bem natural que foi apropriado pelas empresas.

A Semana de Direitos Humanos é organizada pela Equipe de Animação Missionária juntamente com o MAB e tem apoio das paróquias das Congonhas, da Reitoria e do Sindicato Metabase Inconfidentes.